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Ações de Parceiros / Crédito de carbono
08/05/2008

Diálogos Itaú aborda os mistérios do Mercado de Carbono

Evento organizado pelo banco explicou as dificuldades do mercado de carbono e apresentou casos de sucesso

“Um grande desafio e uma imensa oportunidade para as empresas brasileiras”, foi assim que o principal debatedor dos Diálogos Itaú de Sustentabilidade, embaixador Rubens Barbosa, definiu o cenário do mercado de crédito de carbono em nosso país. O evento, promovido pelo Banco Itaú, cuja Fundação Itaú Social é Parceira Pioneira do Akatu, ocorreu no último dia 27 de março e reuniu centenas de profissionais interessados diretamente no tema, como também pessoas dispostas a entender melhor o assunto que ainda é desconhecido pela maioria.

Rubens Barbosa foi apresentado por Antonio Matias, vice-presidente da Fundação Itaú Social, como um dos maiores especialistas brasileiros em mercado de carbono. Presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior e membro do Conselho da BM&F, Barbosa não decepcionou as pessoas presentes e fez um relato bastante detalhado do atual momento vivido pelo mercado de crédito de carbono no Brasil. Segundo ele, o país é responsável por apenas 14% dos projetos (274 no total), apesar de seu enorme potencial ambiental, enquanto a Índia (com 33% dos projetos) e a China (com mais de 18%) lideram os investimentos no setor.

Barbosa considera que os principais entraves estão relacionados à falta de regulamentação, às indefinições de regras tributárias e à lentidão e dificuldade na aprovação dos projetos. “Além disso”, destaca o embaixador, “o mercado de carbono não está alinhado aos interesses estratégicos das empresas”. Para ele é uma grande oportunidade que as empresas brasileiras estão deixando de aproveitar.

Entre as principais áreas que desenvolveram projetos de seqüestro de carbono no Brasil nos últimos anos, estão: geração de energia com utilização de biomassa (46%); hidrelétricas (26%) e as chamadas PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas).

Mas os participantes do Diálogos Itaú não conheceram apenas dificuldades. Na segunda parte do evento, foram apresentados casos de empresas que vem tendo sucesso na comercialização de projetos, com destaque para  as indústrias Klabin.

Maior fabricante de papéis para embalagens da América Latina, a Klabin foi a primeira empresa brasileira a integrar o CCX (Chicago Climate Exchange), organização internacional pioneira em intercâmbio de emissões de gases geradores de efeito estufa, surgida de uma necessidade de mercado e não para atender as determinações do Protocolo de Kioto, uma vez que os EUA não ratificaram o acordo. A Klabin desenvolve projetos que têm por base a substituição de óleo pesado por gás natural em Piracicaba, em São Paulo, e por biomassa nas unidades do Paraná e de Santa Catarina. Novas caldeiras de biomassa, com capacidade entre 150 e 250 toneladas/h de vapor, também integram Projetos de MDL, contribuindo para o resultado econômico do investimento.

Saiba mais sobre o Protocolo de Kioto e o Seqüestro de Carbono

O Mercado de Crédito de Carbono foi estabelecido no âmbito do Protocolo de Kioto criado em 1997, que estabelece metas para a redução na emissão dos gases de efeito estufa para 37 países. O protocolo prevê uma redução de 5,2% nas emissões, em relação aos níveis registrados em 1990 em metas a serem atingidas entre 2008 e 2012.

São três os mecanismos que permitem essa redução: o comércio de emissões entre países com metas a cumprir, a implantação de projetos conjuntos para reduzir emissões e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo que permite que os países com metas por cumprir invistam na redução de emissões nos países em desenvolvimento quando não conseguirem evitá-las em seu próprio território.

O Brasil, assim como a Índia e a China, são signatários do protocolo, mas não tem de se comprometer com metas específicas. No entanto, precisam manter a ONU devidamente informada sobre os seus níveis de emissão e buscar formas de reduzi-las.