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Ações de Parceiros / Responsabilidade Social Empresarial
24/06/2008

Bem vestidos

Pratos prontos, pizzas e salgadinhos da Sadia recebem embalagens feitas de papel certificado

A Sadia, Associada Benemérita do Instituto Akatu, vem aplicando, desde abril, mais uma medida para contribuir com a sustentabilidade e reduzir os impactos de suas operações sobre o meio ambiente: a comercialização de alimentos embalados em papelão e papéis cartonados certificados pelo selo Forest Stewardship Council (FSC) ou Conselho de Manejo Florestal. A certificação internacional indica que a matéria-prima utilizada na confecção daquele produto vem de madeira retirada de áreas legais de manejo florestal, cumprindo exigências sociais e ambientais. É, portanto, uma exploração sustentável dos recursos naturais (ver box abaixo com a descrição das condições para o selo FSC).

A iniciativa é uma parceria entre a Sadia, a indústria de papel e celulose Klabin e as gráficas Ibratec, Brasilgráfica e Gráfica Romiti, com acompanhamento do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). Para que uma embalagem, como as que acompanham os produtos da Sadia, receba o selo, o Conselho de Manejo Florestal exige que todas as empresas da cadeia de produção do produto atendam às exigências de desempenho social e ambiental listadas abaixo. Ou seja, nesse caso, não basta que apenas a fabricação do papel seja desenvolvida com práticas sustentáveis, mas também a confecção e a impressão das embalagens. O certificado é renovado a cada cinco anos, mas a certificadora faz, no mínimo, um monitoramento anual.

Atualmente, as linhas de produtos que utilizam as embalagens são as de pratos prontos, pizzas, hambúrgueres, empanados, salgadinhos, etc. A previsão da empresa é expandir a iniciativa para todos os produtos que usam embalagens de papel cartonado e papelão. Para que o consumidor possa identificar, a certificação está impressa em um aviso na parte frontal destacando a característica “ecológica” e, na parte lateral, está impresso o selo do FSC. Segundo cálculos da empresa, serão 111 milhões de unidades de embalagens comercializadas durante este ano.

Os 10 Princípios e Critérios do FSC

Princípio 1: Obediência às Leis e aos Princípios do FSC

O manejo florestal deve respeitar todas as leis aplicáveis ao país aonde opera, os tratados internacionais e acordos assinados por este país, e obedecer a todos os Princípios e Critérios do FSC.

Princípio 2:  Responsabilidades e direitos de posse e uso da terra

Os direitos de posse e uso de longo prazo relativos à terra e aos recursos florestais devem ser claramente definidos, documentados e legalmente estabelecidos.

Princípio 3:  Direitos  dos Povos Indígenas

Os direitos legais e costumários dos povos indígenas de possuir, usar e manejar suas terras, territórios e recursos  devem ser reconhecidos e respeitados.

Princípio 4: Relações Comunitárias e  Direitos dos Trabalhadores

As atividades de manejo florestal  devem manter ou ampliar o bem estar econômico e social de longo prazo dos trabalhadores florestais e das comunidades locais.

Princípio 5: Benefícios da Floresta

As operações de manejo florestal devem incentivar o uso eficiente dos múltiplos produtos e serviços da floresta para assegurar a viabilidade econômica e uma grande gama de benefícios ambientais e sociais.

Princípio 6: Impacto Ambiental

O manejo florestal deve conservar a diversidade ecológica e seus valores associados, os recursos hídricos, os solos, e os ecossistemas e paisagens frágeis e singulares, e ao assim atuar, manter as funções ecológicas e a integridade da floresta.

Princípio 7: Plano de Manejo

Um plano de manejo – apropriado à escala e intensidade das operações propostas – deve ser escrito, implementado e atualizado. Os objetivos de longo prazo do manejo florestal e os meios para atingi-los  devem ser claramente definidos.

Princípio 8: Monitoramento e Avaliação

O monitoramento deve ser conduzido – apropriado à escala e à intensidade do manejo florestal – para que sejam avaliados a condição da floresta, o rendimento dos produtos florestais, a cadeia de custódia (ou de rastreabilidade), as atividades de manejo e seus impactos ambientais e sociais.

Princípio 9: Manutenção de florestas de alto valor de conservação

As atividades em manejo de florestas de alto valor de conservação devem manter ou ampliar os atributos que definem estas florestas.  Decisões relacionadas às florestas de alto valor de conservação devem sempre ser consideradas no contexto de uma abordagem de precaução.

Princípio 10: Plantações

As plantações  devem ser planejadas e manejadas de acordo com os Princípios 1 a 9 e o Princípio. Considerando que as plantações podem proporcionar um leque de benefícios sociais e econômicos, e contribuir para satisfazer as necessidades globais por produtos florestais, recomenda-se que elas complementem o manejo, reduzam  as pressões, e promovam  a restauração e conservação das florestas naturais

O passo-a-passo para conseguir a certificação

1. Depois da decisão de se certificar, a empresa pode solicitar junto a uma das certificadoras credenciadas uma pré-avaliação do manejo da floresta. Este não é um procedimento obrigatório, mas apenas uma consulta para verificar como aquela determinada operação florestal está em relação aos padrões de certificação referentes àquele tipo de manejo ou de floresta;

 2. A certificadora é, então, contratada para fazer uma avaliação completa da área, com objetivo de certificar a unidade de manejo. A certificadora define o escopo, a equipe de avaliação e as fases da auditoria de campo.  Antes da avaliação de campo é realizada uma consulta pública para que a certificadora possa colher comentários das populações locais acerca do manejo praticado pelo empreendimento. Na avaliação de campo, a equipe de auditores realiza  visitas às áreas de manejo e escritórios, durante as quais são verificados os cumprimentos dos princípios e critérios do FSC.

3. Para ser certificada, a unidade de manejo florestal precisa passar por uma certificação de cadeia de rastreabilidade na unidade de processamento ou beneficiamento da madeira, o que irá garantir o rastreamento do produto desde o campo até sua comercialização. Somente produtos explorados das unidades certificadas podem receber o selo FSC

4. Os auditores elaboram relatórios nos quais constam as pré-condições (pontos que precisam ser resolvidos antes do empreendimento receber a certificação) e as condições (pontos que podem ser resolvidos com o tempo) para o licenciamento da logomarca FSC, e ainda recomendações referentes a alguns pontos da operação florestal que podem ser melhorados.  Quando existem pré-condições, a empresa tem um tempo para resolvê-las e convidar novamente a certificadora para uma checagem final.  Só então o relatório final da certificadora é analisado por especialistas e se decide liberar ou não a certificação;

5. A certificadora então elabora um resumo sobre o processo de certificação da operação florestal e disponibiliza o documento publicamente;

6. Depois de certificada, a operação florestal recebe anualmente a visita da certificadora responsável pelo licenciamento da logomarca FSC.  Em casos de denúncia de irregularidades, a certificadora poderá realizar visitas extras.  Além disso, o certificado FSC precisa ser renovado a cada 5 anos quando é realizado um outro processo completo de avaliação.